“Meu Pé de Bitcoin” é acusada de não pagar funcionários

Gustavo Bertolucci
Gustavo Bertolucci
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
8 min de leitura
Meu Pé de Bitcoin/Reprodução
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Novas reclamações sobre a plataforma “Meu Pé de Bitcoin” foram publicadas na internet e a empresa agora é acusada até de não pagar seus funcionários. Após as primeiras reclamações públicas sobre o negócio, clientes começaram a expor mais situações do caso.

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Investigada hoje por dois Ministérios Públicos estaduais no Brasil, a Meu Pé de Bitcoin estaria oferecendo lucros garantidos com Bitcoin. Ao captar investimentos sem autorização da CVM, várias pessoas já teriam enviado denúncias aos órgãos reguladores sobre a empresa.

Com sede em Caruaru (PE), a empresa já teria clientes de várias cidades do Brasil. Além disso, patrocina um clube de futebol amador na cidade da sua sede, que leva o nome da própria empresa.

Apesar das acusações, a empresa se defende. Em redes sociais, a Meu Pé de Bitcoin afirma não trabalhar como uma plataforma de investimentos.

Suspeita de atrasos em pagamentos a clientes, Meu Pé de Bitcoin é acusada de atrasar salários

A empresa Meu Pé de Bitcoin é alvo de reclamações de clientes há alguns meses, com vários casos de atrasos em pagamentos de rendimentos prometidos. No último mês, um cliente afirmou que iria acionar a Polícia Federal, entretanto, foi alvo de chacota por parte da própria empresa.

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Após os problemas com clientes chamarem atenção, agora são os funcionários que estão reclamando. De acordo com um relato registrado no Reclame Aqui, a Meu Pé de Bitcoin demitiu vários funcionários recentemente, mas não pagou a rescisão trabalhista.

Ex-funcionário reclama da Meu Pé de Bitcoin
Ex-funcionário reclama da Meu Pé de Bitcoin – Reclame Aqui

Além disso, outro funcionário da empresa afirma em um relato recente que nunca recebeu salário da empresa. O funcionário, que se identificou como sendo do Maranhão, afirmou que seus colegas também enfrentam a mesma situação.

“Trabalho na empresa me deram ferias e ja estou desde o começo sem receber nada,nem eu e nem meus colegas de trabalho essa empresa é uma farça [SIC]”, afirmou funcionário da Reclame Aqui.

Com o crescimento das reclamações no Reclame Aqui, a Meu Pé de Bitcoin é considerada Não Recomendada pela plataforma. O Livecoins procurou então a empresa para comentar o caso.

O que diz a empresa

Em nota, a empresa comentou sobre o momento e o futuro, em relação a funcionários e clientes. A empresa afirmou que o Reclame AQUI não é o local correto para reclamações trabalhistas e que perfis falsos atacam o negócio em redes sociais.

“Agradecemos aqui novamente ao espaço cedido para o nosso direito de resposta, e solicitamos a divulgação na íntegra da presente nota, ao contrário do realizado anteriormente, nesta passamos a responder especificamente sobre as reclamações de funcionários que alegam não recebimento de salário, bem como ex-funcionários que alegam não recebimento de haveres rescisórios.

Inicialmente destacamos que o site Reclame aqui, não é o canal adequado para recebimento de reclamações de cunho trabalhista, de fato, a plataforma busca solucionar conflitos de relações de consumo.

Referido fato é público e notório, de conhecimento de todos, entretanto um grupo articulado, cujo único objetivo é o de prejudicar a empresa, seus sócios, colaboradores e fornecedores, tem realizado tais reclamações e, ainda se utilizado de grupos de WhatsApp, de fake News e criação de perfis falsos nas redes sociais para denegrir a imagem de nossa empresa, quem dera se tivessem agido com essa disposição para trabalhar.

Especificamente, necessário restabelecer a verdade, derrubando-se pelo menos algumas das muitas mentiras colocadas nas “reclamações”, afirmou a empresa em nota ao Livecoins

Colaboradores foram demitidos por não cumprirem com suas obrigações

Ainda em sua explicação sobre os problemas, a Meu Pé de Bitcoin confessou ter demitido alguns funcionários. Contudo, o motivo dos desligamentos seria por falta de cumprimento com obrigações.

“Todos colaboradores são devidamente registrados, e muitos foram demitidos sem justa causa por não cumprirem com suas obrigações, mesmo com todo apoio, não demonstraram interesse, mesmo com todas as facilidades que possuíam, benefícios e horário flexível por exemplo. Em plena pandemia a Meu Pé de Bitcoin foi uma das poucas empresas no Brasil que não demitiu nenhum funcionário devido à crise sanitária e econômica, sequer reduziu o salário de seus colaboradores, durante todo o período pagamos salários, cestas básicas. Essa foi a nossa postura, contudo, infelizmente no mês de novembro/2020, 19% (dezenove por cento) dos funcionários sofreram atraso de seus salários, e começaram a gerar pânico.

Esclarecemos que não deixamos de cumprir com qualquer obrigação por vontade própria, mas por problemas alheios, algo que inclusive, infelizmente não é exclusividade nossa, estamos diante de uma grave crise que ainda não passou, assim, também ficamos sem pagar o mês de dezembro e décimo terceiro para a totalidade de nossos funcionários.

Para reduzir o abrupto impacto sofrido, foi concedida férias coletivas no final de ano. Agora reconhecendo o esforço de um grupo seleto de pessoas que cumpriram com suas obrigações e metas, pessoas que realmente trabalham e confiam no trabalho da empresa estamos retomando neste ano com toda disposição para vencer todas as barreiras e levar nossa tecnologia a mais pessoas.

Isso tudo será comprovado, o que aliás, em breve, após o fim do recesso do Poder Judiciário, já foram distribuídas medidas para responsabilizar-se todos os ex-colaboradores e ex-sócios que tentaram denegrir nossa imagem a base de mentiras, ao todo mais de 100 (cem) procedimentos, bem como aos casos aplicáveis, haverá dispensa por justa causa.”, informou a Meu Pé de Bitcoin

Empresa não teme justiça e está a disposição para esclarecer problemas

A competência de investigar empresas acusadas de operar esquemas de pirâmide financeira cabe a justiça estadual no Brasil hoje. No caso da Meu Pé de Bitcoin, suspeita de operar um esquema de pirâmide, já foram abertos inquéritos em Pernambuco e São Paulo.

No inquérito de São Paulo (MP n.º 14.0161.0001648/2020-0), inclusive, há uma audiência marcada para o próximo dia 19 de janeiro no Ministério Público do estado. O MP-SP investiga a empresa sob a ótica do direito do consumidor.

Em nota ao Livecoins, a Meu Pé de Bitcoin afirmou que não teme a justiça e está a disposição para responder às autoridades.

“Deve haver justiça para ambos os lados, não apenas a um lado, sob pena de um lado ter apenas direitos e outro apenas obrigações e deveres. Iremos responder na justiça e assim como trabalhamos, dentro da lei, da correção e da Justiça, assim não temos nada a temer.

Destacamos que estávamos, estamos e estaremos sempre de portas abertas para todos, sejam autoridades, clientes, colaboradores e demais interessados.”, concluiu a Meu Pé de Bitcoin

Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.