“Não queremos que as moedas digitais sejam disruptivas para os bancos”, diz Campos Neto

Matheus Henrique
Matheus Henrique
Fã do Bitcoin e defensor de um futuro descentralizado. Cursou Ciência da Computação, formado em Técnico de Computação e nunca deixou de acompanhar as novas tecnologias...
3 min de leitura
Fachada do Banco Central do Brasil, Brasília. Foto: Leonardo Sá/Agência Senado
Aprofunde-se

Com países ao redor do mundo considerando o estudo e desenvolvimento de moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) como uma forma de revitalizar e atualizar o sistema financeiro, claro, o Brasil não está ficando para trás nesse quesito. No entanto, o Banco Central quer que o desenvolvimento de uma moeda digital não seja prejudicial para as instituições financeiras tradicionais.

- Continua depois da publicidade -
Ad image

Segundo informações do R7, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central do Brasil, afirmou na última quinta-feira(7), que a autarquia está avançando no desenvolvimento de uma CBDC (Moeda Digital de Banco Central). No entanto, uma das principais preocupações do processo é evitar que as moedas digitais se tornem disruptivas para as instituições tradicionais.

“Temos avançado, temos muitas coisas a resolver para assegurar que a moeda digital não seja disruptiva para os balanços dos bancos”, afirmou Campos neto em conferência virtual promovida pelo Banco de Compensações Internacionais, BIS.

Open bank

O plano do Banco Central vai muito além do desenvolvimento de uma moeda digital e sim toda uma renovação financeira que está sendo chamada de “Open finance”, com um sistema que tem o objetivo de ser “muito inclusivo” com diferentes produtos em sua plataforma, até mesmo com planos de saúde.

- Continua depois da publicidade -
Ad image

Esse sistema de open finance, que pode ser traduzido de sistema financeiro aberto, pretende abrir o espaço para a possibilidade de clientes de produtos e serviços compartilharem informações entre diferentes instituições autorizadas pelo Banco Central.

De acordo com as informações, clientes dessa instituições autorizadas “também vão poder movimentar suas contas bancárias a partir de diferentes plataformas, e não apenas pelo aplicativo ou site do banco.”

Apesar de não estar claro o que essa troca de informações pode significar, fica bem claro que o Banco Central quer acompanhar não só o criptomercado e o seu desenvolvimento, mas também o setor de Fintech que vem dominando a vida cotidiana do consumidor final.

Mas, como é de se imaginar, a ideia é, no fim das contas, preservar e continuar mantendo o controle do Banco Central e dos Bancos no setor financeiro, como já acontece.

Enquanto esse é um ponto válido partindo do principio estatal, vai totalmente contra o que os entusiastas das criptomoedas acreditam.

Uma moeda digital comandada pelo estado tem exatamente os mesmos defeitos da moeda fiduciária de hoje, só não é impressa.

Com isso, as CBDCs parecem ser muito mais animadoras para os que já estão no poder do setor financeiro e não quem está no final da corrente.

Fã do Bitcoin e defensor de um futuro descentralizado. Cursou Ciência da Computação, formado em Técnico de Computação e nunca deixou de acompanhar as novas tecnologias disponíveis no mercado. Interessado no Bitcoin, na blockchain e nos avanços da descentralização e seus casos de uso.