BIS declara guerra contra criptomoedas: “não servem como dinheiro”

Gustavo Bertolucci
Gustavo Bertolucci
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
4 min de leitura
Prédio do BIS em Basileia, na Suíça. Crédito: BIS.

O Banco de Compensações Internacionais (BIS), conhecido também como ‘Banco central dos bancos centrais’, apresentou recentemente um relatório aos ministros das finanças das 20 maiores economias do mundo (G20).

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No documento de 30 páginas, o BIS apontou falhas no ecossistema de criptomoedas e afirmou que elas não devem ser usadas como dinheiro.

De acordo com o BIS, as principais falhas das criptomoedas são a alta fragmentação e congestionamento da rede, altas taxas, falta de transparência, consistência e confiabilidade nos dados, além da pseudoanonimidade que dificulta a identificação dos investidores e a grande quantidade de transações off-chain.

Criptomoedas não servem como dinheiro

O BIS afirma que, até agora, “as criptomoedas falharam em aproveitar a inovação para o benefício da sociedade”, ou seja, embora elas tenham oferecido elementos de inovação genuína, como a programabilidade e a composabilidade, elas “não financiam atividades econômicas reais”.

O relatório ainda afirma que as criptomoedas têm falhas estruturais que as tornam inadequadas para desempenhar um papel significativo no sistema monetário.

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O BIS também discute maneiras de abordar essas falhas estruturais e riscos associados ao ecossistema de criptomoedas, incluindo a necessidade de regulamentação e supervisão adequadas.

“A criptomoeda permanece amplamente autorreferencial e não financia a atividade econômica real”, disse. “Falhas estruturais inerentes o tornam inadequado para desempenhar um papel significativo no sistema monetário.”

O relatório também destaca que, apesar da ideologia original de descentralização, muitas criptomoedas e plataformas DeFi apresentam centralização substancial, o que pode introduzir vários problemas.

Colapso da TerraUST

O relatório do BIS cita o colapso da criptomoeda TerraUSD (UST) como um exemplo de fragilidades nas criptomoedas, destacando que o uso da falida stablecoin cresceu rapidamente em 2021-2022, tornando-se a terceira maior do mercado, com uma capitalização de quase US$ 19 bilhões antes de seu colapso.

O BIS então descreve como, em maio de 2022, o valor do UST despencou para quase zero, e uma dinâmica clássica de corrida de saques começou, com investidores buscando resgatar seus fundos.

Os usuários queimaram seus UST em grande escala para receber a novo Luna, na esperança de vender a moeda enquanto ainda tinha algum valor.

No entanto, dada a magnitude e a velocidade do colapso, a confiança evaporou, o que significa que não havia partes suficientes dispostas a comprar todas as novas moedas Luna recém-criadas — e assim o preço do Luna desabou.

O colapso do UST/Luna também afetou a maior stablecoin, Tether, que caiu para um valor de US$ 0,95 antes de se recuperar.

O relatório destaca que as stablecoins, como o TerraUSD, dependem da credibilidade da unidade de conta do banco central e podem representar riscos para a soberania monetária.

Também afirma que as stablecoins são vulneráveis a corridas bancárias e outros riscos, como a falta de transparência e confiabilidade nos dados. O relatório do BIS discute maneiras de abordar esses riscos e fragilidades nas stablecoins, novamente pedindo regulamentação e supervisão.

Por fim, embora as criptomoedas tenham atualmente mais de 420 milhões de investidores em todo mundo e continuem a ganhar adoção, o BIS afirma que elas falharam e ser uteis e benéficas para a sociedade, chamando-as de inúteis como dinheiro.

MARCADO:
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
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