Blockchain deve ser estudado no registro de metais preciosos do Brasil, pede deputado citando Canadá

Gustavo Bertolucci
Gustavo Bertolucci
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
4 min de leitura
Metais preciosos podem entrar na mira de nova regulação com tecnologia de rastreio (Foto/Reprodução)
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Um novo projeto de lei que chega para discussão no Congresso Nacional apresentado pelo Deputado Federal Defensor Stélio Dener (Republicanos-RR) pede a criação do Sistema Nacional de Rastreabilidade de Minerais Estratégicos (SNRME).

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E entre as tecnologias que devem passar por estudo para implantação do projeto estão assinatura digital, IoT e ledger distribuído. No quesito ledger distribuído, vale lembrar que o conceito abrange o conceito de banco de dados ou DLT, não propriamente a tecnologia utilizada pelas criptomoedas, a blockchain.

“Art. 1º Fica instituído o Sistema Nacional de Rastreabilidade de Minerais Estratégicos (SNRME), sob gestão da Agência Nacional de Mineração (ANM), para registrar, em meio digital, todas as etapas da cadeia de minerais estratégicos: extração, transporte, beneficiamento, comercialização e exportação“, diz o projeto de lei 4.429/2025.

Sistema que pode utilizar a tecnologia blockchain deve criar um E-Selo que garante o rastreio dos metais preciosos desde a origem

Um dos pontos de inovação da proposta é a integração de bases da ANM, Receita Federal, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Banco Central (Bacen) e Sistema Nacional de Comércio Exterior (Siscomex).

Além disso, o projeto de lei pede a criação de um E-Selo para rastreio de metais preciosos desde a origem de sua mineração no solo nacional.

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Para transportar um metal precioso, os responsáveis pela atividade deverão portar um Documento Eletrônico de Origem Mineral (DEOM), emitido no SNRME, equivalente ao conhecimento de origem e à nota fiscal.

Assim, o deputado justificou que vários países já utilizam várias tecnologias emergentes e inovadoras em seu processo de rastreio de metais. “Canadá: adota protocolos de rastreabilidade e certificação voluntária (como o Conflict-Free Gold Standard), integrando auditorias externas e blockchain para ouro e diamantes“, justificou citando outras iniciativas.

“Essas experiências mostram que rastreabilidade não é barreira, mas sim porta de entrada para mercados exigentes, sobretudo na Europa, América do Norte e Japão, que tendem a banir importações de origem duvidosa. Ao propor o SNRME, o Brasil se alinha a esse padrão internacional, reforçando sua imagem como fornecedor confiável e sustentável, algo crucial para atrair investimentos estrangeiros, acessar contratos de longo prazo e garantir que suas reservas de terras raras e outros minerais estratégicos não sejam alvo de pressões ou sanções comerciais“, justifica o parlamentar.

Projeto prevê punições para garimpeiros ilegais

Em outra parte da proposta, o deputado Stélio Dener defende um aumento na punição para quem minera metais preciosos no Brasil sem o aval regulatório. As infrações vão desde uma multa leve, até uma infração gravíssima que prevê a perda do selo e comunicação ao Ministério Público Federal

“Em síntese, o SNRME representa uma resposta moderna e soberana a um desafio global, colocando o Brasil no mesmo patamar regulatório de potências mineradoras e comerciais, e garantindo que a exploração dos minerais estratégicos na Amazônia e no restante do território nacional ocorra sob o selo da legalidade, rastreabilidade e confiança internacional“, diz.

Em fase inicial, o projeto de lei precisa avançar nas Comissões da Câmara dos Deputados e contar com apoio da maioria em plenário para avançar.

Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.