Criptomercado está crescendo no Brasil, mas falta regulação

Eduarda Lobato
Eduarda Lobato
Educadora sobre bitcoin & copywriter.
5 min de leitura
Bitcoin Brasil
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O mercado de criptomoedas está crescendo no Brasil e, em sua grande parte, impulsionado por traders que veem novas oportunidades de surfar nas ondas de altas dos ativos digitais.

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Além disso, devido a crise da COVID-19, a economia brasileira, a maior da américa latina vem sofrendo com resultados negativos e corre risco de não se recuperar rapidamente da crise econômica, que se iniciou desde o início da pandemia no país. Dessa forma, especialistas preveem um aumento da inflação.

Com esse cenário de incertezas no mercado, diversos comerciantes institucionais e investidores estão tentando assegurar suas riquezas utilizando criptomoedas, devido a seu potencial de manter o poder de compra, além de servir como reserva de valor.

Essa movimentação aumentou mais ainda com o lançamento dos ETFs no Brasil.

Criptomercado em alta

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Somente no primeiro trimestre de 2021, a maior corretora de criptomoedas do Brasil, Mercado Bitcoin, negociou quase 5 bilhões de dólares em criptomoedas em sua plataforma. Valor esse que é maior do que o negociado na exchange no período entre 2013 a 2020.

O Mercado Bitcoin conseguiu concluir sua primeira rodada de arrecadação de fundos este ano, liderada pela GP Investments e Parallax, e garantiu um investimento de US $ 40 milhões para expandir para outros mercados, disse Reinaldo Rabelo, CEO do Mercado Bitcoin, ao site Coindesk.

“No mercado brasileiro, o crescimento recente se deve à institucionalização do assunto, estimulada pela Coinbase, que levou bancos e até a bolsa brasileira B3 a fazer declarações positivas sobre os investimentos em criptomoedas”, disse Rabelo.

Além disso, grandes exchanges de outros países começaram a lançar operações no Brasil, como a Bitso (México) e Ripio (Argentina), que já havia começado operações no Brasil desde 2016, mas, neste ano, adquiriu a segunda maior exchange do país, a Bitcoin Trade. 

ETFs de Criptomoedas no Brasil

Em fevereiro a gestora de recursos Hashdex anunciou o lançamento de um dos primeiros fundos de investimento negociados no mundo e o primeiro do Brasil em criptomoedas, o HASH11.

O ETF criado pela Hashdex junto com a Nasdaq conta com 5 criptomoedas, sendo elas: Bitcoin, Ethereum, Litecoin, Chainlink, Bitcoin Cash e Stellar. O fundo replica o índice de criptos da Nasdaq.

O ETF começou a ser negociado no final de Abril, na bolsa de valores do Brasil, B3.

Não obstante, em março, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), aprovou um ETF 100% Bitcoin, criado pela gestora QR Capital. O ETF será negociado no final de maio na B3.

“Estamos vendo muita demanda por bitcoin no que é o início da adoção institucional no Brasil. Portanto, temos uma expectativa muito forte em relação a este produto.”, disse Fernando Carvalho, CEO da QR Capital, ao site Coindesk.

Pouca regulamentação

Mesmo com o crescimento do mercado de criptos no país, as regulações seguem de maneira lenta, exceto por algumas exigências fiscais.

Em 2014, a Receita Federal declarou que as criptomoedas estarão sujeitas a taxação, mas somente se mais de 35 mil reais estiverem envolvidos na liquidação. Em 2019, a Receita Federal passou a exigir que os traders de criptos relatassem transações superiores a 30 mil reais ao tesouro nacional.

Algumas exchanges têm sofrido com a falta de clareza nas regulamentações, principalmente porque os bancos locais estão relutantes em trabalhar com empresas de criptomoedas. Embora isso esteja mudando aos poucos, visto que algumas instituições como o Itaú já estão adentrando no mercado de criptos.

Em 2018, alguns bancos fecharam contas conectadas a exchanges no país, levando a uma investigação no Brasil. Os bancos negaram que tivessem trabalhado juntos para interromper os serviços para empresas de criptomoedas, alegando que as contas foram fechadas devido a violações dos requisitos de combate à lavagem de dinheiro.

A evolução da criptoeconomia no Brasil ainda pode demorar e seguirá uma escala lenta, afinal, iniciativas de criptomoedas e com tecnologias blockchain ainda são vistas com certo ceticismo no país, disse Gustavo Filgueiras, empresário brasileiro que começou a investir em criptomoedas desde 2019.

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