Os EUA lançou 14 bombas pesadas e dezenas de mísseis contra o Irã na madrugada deste domingo (22). Os alvos da Operação da Meia-Noite eram três instalações nucleares iranianas.
No entanto, a comunidade notou que o hash rate do Bitcoin caiu cerca de 30%, sinalizando que o ataque pode ter afetado mineradoras do país.
“O hash rate global despencou mais ou menos na mesma hora em que locais nucleares foram bombardeados pelos EUA.”
“Será que o Irã estava usando ASICs movidos a energia nuclear como uma forma de converter energia em bitcoin discretamente para financiar suas operações?”, questionou um investidor nas redes sociais.

Na mesma postagem, o usuário nota que essas métricas não são precisas.
Em suma, o cálculo é feito com base no tempo dos blocos. Em um cenário perfeito, cada bloco leva 10 minutos para ser minerado, portanto, caso exista um atraso nesses números, supõe-se que menos equipamentos estão ligados à rede.
Segundo dados do site Mempool.space, atualmente o tempo médio dos blocos está em 10,8 minutos desde o último ajuste de dificuldade (13 de junho). Já os blocos mais recentes aparecem com um intervalo muito maior que a média padrão.

Irã estava minerando Bitcoin secretamente?
Atualmente o Irã é um dos países mais sancionados do mundo, tendo EUA e União Europeia intensificado bloqueios a bancos e outras proibições comerciais ao longo das últimas duas décadas.
Por conta disso, fontes apontam que o país estava usando o Bitcoin e outras criptomoedas para driblar essas sanções.
Um estudo da Elliptic, publicado em 2021, aponta que o Irã era responsável por 4,5% da mineração mundial de Bitcoin.

Dado que a China expulsou mineradores de seu país naquele mesmo ano, é possível que hoje essa porcentagem seja ainda maior.
Em janeiro deste ano, por exemplo, o Conselho Nacional da Resistência do Irã apontou que o país estava enfrentando apagões causados por má gestão e mineração ilícita de Bitcoin pela Guarda Revolucionária Iraniana.
Max Keiser, um dos primeiros investidores de Bitcoin da história, apontou que o gráfico sobre a queda do hash rate do Bitcoin foi “a única e mais interessante informação de toda a semana”.
“Isso aponta para o Bitcoin como o fantasma supremo na máquina da teoria dos jogos global e sinaliza, de uma vez por todas, que o Bitcoin está agora firmemente no comando; nenhum Estado-nação ou grupo de Estados-nação sobreviverá ao Bitcoin.”
https://www.twitter.com/maxkeiser/status/1936946081989804085
Somado a isso, hackers ligados a Israel roubaram e queimaram R$ 450 milhões em criptomoedas de uma corretora do Irã na última quarta-feira (18).
Dados da Chainalysis apontam que a Nobitex era a maior corretora de criptomoedas do país, maior que as 10 seguintes, somadas. Além disso, também era usada por terroristas e para driblar sanções.
Voltando à questão da mineração, outros defendem que a queda no hash rate é algo comum, como pode ser visto em outros períodos do gráfico.
Uma das alternativas apresentadas é que mineradoras americanas estão desligando suas máquinas devido à onda de calor no Texas.
Essa prática acontece com frequência, sendo feita em parceria com a empresa de energia para evitar sobrecargas quando a população mais demanda da rede, devido ao uso de ar-condicionados para se refrescar, por exemplo.
“Não, isso não é porque o Irã está secretamente minerando grandes quantidades de Bitcoin usando energia nuclear. Primeiramente, quedas como essa são comuns (veja o gráfico abaixo) e provavelmente são devido ao controle da ERCOT (sendo pago para reduzir a carga, ou recebendo um sinal de preço de que minerar não é econômico)”, escreveu Daniel Batten.
https://www.twitter.com/DSBatten/status/1936987029759259104
Embora Batten acredite ser difícil que o Irã esteja usando energia nuclear para minerar Bitcoin, vale lembrar que o Butão, um pequeno país asiático, estava minerando secretamente há anos, isso sem precisar driblar sanções, como faz o Irã.
