“Expert em Bitcoin” prometia alta rentabilidade, mas desaparecia com dinheiro das vítimas

Natália Oliveira
Natália Oliveira
Jornalista desde 2011. Já atuou em grandes mídias de Minas Gerais. Tem interesse por tecnologia e economia.
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Um homem de 52 anos foi preso, nesta quinta-feira (5), em Elói Mendes, no Sul de Minas Gerais, suspeito de estelionato e lavagem de dinheiro por meio bitcoins.

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De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o investigado prometia investir dinheiro na criptomoeda, administrar e gerar lucros para as vítimas. No entanto, a maior parte do dinheiro sequer era investido em bitcoins e era direto desviado para a conta do suspeito.

O MPMG deflagrou uma operação para prender o golpista e cumprir cinco mandados de busca e apreensão, em Minas Gerais e São Paulo, que vão ajudar nas investigações. Pelo menos R$ 30 milhões em dinheiro foram congelados da conta do suspeito.

Além disso, no esquema, foram movimentados 400 Bitcoins, o equivalente a cerca de R$ 78 milhões.

“O investigado conseguia angariar o interesse das vítimas por meio de perfis que eram mantidos em nome de uma empresa no Twitter e no Instagram. Ele ministrava cursos de como mexer com criptoativos e tinha muito conhecimento na área. Ele prometia lucros que fazia brilhar os olhos das vítimas, prometendo uma tábua de salvação em meio a pandemia, mas na verdade as pessoas perdiam milhões com esses investimentos. O dinheiro muitas vezes sequer era investido em Bitcoins” explicou o promotor Daniel Ribeiro.

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Ainda segundo o promotor, no início ele repassava o lucro prometido para as vítimas para conseguir a confiança delas, mas depois ele simplesmente desaparecia.

As investigações começaram depois de uma denúncia de dois empresários do Espírito Santo que perderam R$ 6 milhões. O golpe era aplicado em pessoas de todo Brasil. Foram, pelo menos, 20 vítimas desde 2017.

Suspeito começou a ostentar vida de luxo repentinamente

Antes de começar a aplicar os golpes, o suspeito tinha uma vida pacata em Elói Mendes e já teve até mesmo outras empresas que quebraram. “Ele estava com veículos de alto luxo, alguns no valor de R$ 2 milhões, podemos citar como exemplo uma Ferrari,. O investigado também tinha um imóvel de alto padrão em São Paulo. A casa dele em Elói Mendes também era de boa condição”, contou o promotor.

Era investindo o dinheiro nesses bens que ele ocultava os golpes. Parte dos ativos dele também eram colocados na conta de “laranjas”, a prática configura lavagem de dinheiro.

O objetivo é dificultar o rastreamento dos benefícios do crime. Quatro familiares do suspeito são investigados por ajudarem nessa parte. Um outro homem passou a ser investigado também por ajudar o suspeito preso na parte operacional das promessas de investimento.

Os bens do suspeito e o dinheiro da conta congelada podem servir para ressarcir as vítimas dos prejuízos. Segundo o MPMG, o patrimônio total dele ainda é levantado, bem como o total de prejuízos das vítimas.

Participaram da operação três delegados e 12 investigadores da Polícia Civil, 9 policiais militares e 16 auditores da Receita Federal. A operação recebeu o nome de Mercador de Ilusões. O nome do suspeito não foi divulgado por causa do sigilo fiscal.

Jornalista desde 2011. Já atuou em grandes mídias de Minas Gerais. Tem interesse por tecnologia e economia.