Vitória do Mercado Bitcoin para manter conta no Sicoob deve ser barrada no STJ

Sui Teixeira
Sui Teixeira
Sui Teixeira é jornalista desde 2001, formada pela USP. Trabalha ainda como produtora de jingles, é programadora amadora e entusiasta de ciência e tecnologia.
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O Mercado Bitcoin, corretora de criptomoedas que opera com mais de 1 milhão de clientes, acaba de obter, na Justiça, o direito de manter aberta sua conta no banco Sincoob. Caso descumpra a decisão, a multa estabelecida para o banco é de R$ 10 mil por dia.

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Porém, trata-se de uma vitória de prazo curto. Isso porque a decisão deve ser questionada e a tendência é de que o banco seja vitorioso no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Para quem não lembra, desde 2016 vem sendo travada uma verdadeira batalha na justiça brasileira. De um lado, as corretoras e os operadores de criptomoedas, que precisam de contas em bancos para manterem seus negócios. De outro, as instituições bancárias que, provavelmente por temer a concorrência, vêm fechando contas ligadas a criptomoedas.

Entenda a decisão

A decisão tomada no último dia 28, a favor do Mercado Bitcoin, aconteceu no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), ou seja, na segunda instância da justiça carioca. Por se tratar de órgão da segunda instância, a decisão não foi tomada por um único juiz, mas por uma turma, a 21ª Câmara Cível do TJ-RJ. A relatora da decisão foi a desembargadora Regina Lúcia Passos.

Na decisão do colegiado, a relatora argumenta que “não é razoável […] através de uma decisão sumária, incluir mais pessoas na qualidade de desempregados”, em referência ao fato de que as corretoras geram empregos no país.

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Ela argumenta ainda que não há nenhuma “decisão expressa” pelo Banco Central no sentido de proibir a atividade de mercado das moedas virtuais.

Terceira instância

Por ser uma decisão de segunda instância, o acórdão da 21ª Câmara deveria ser uma decisão final, ou seja, uma verdadeira vitória para a corretora. Mas não é de hoje que todo mundo sabe que a justiça brasileira possui três instâncias de decisão.

Além disso, no caso da briga sobre o fechamento de contas de criptomoedas, a terceira instância é o STJ, tribunal que, em outubro de 2018, deu ganho para o Itaú contra o próprio Mercado Bitcoin em processo exatamente com o mesmo tema.

Por esse motivo, a tendência é que o Sicoob recorra sim ao STJ e que o tribunal repita sua decisão, dando ganho ao banco.

Vale dizer que, no acórdão a favor do Mercado Bitcoin, a própria relatora do TJ-RJ citou a decisão superior, comentando que foi “a primeira decisão proferida” pelo STJ sobre o assunto e que “não foi unânime”.

Esses fatos, segundo a magistrada, mostram a “zona cinzenta que permeia o mercado de moedas virtuais”. Ou seja, ela dá a entender que, embora haja uma decisão contrária ao pessoal das criptomoedas em um tribunal superior, essa não é uma questão apaziguada.

Os bancos vão vencer então?

Não se pode afirmar isso. Principalmente porque um dos argumentos centrais apresentados pelo Mercado Bitcoin e outras corretoras é o de que os bancos estariam praticando concorrência desleal. E esse argumento não foi avaliado pela terceira instância.

Na verdade, na própria decisão do STJ que deu ganho ao Itaú, o ministro Marco Aurélio Bellizze, relator, afirma que se o problema é de concorrência desleal, a instituição responsável por decidir sobre essa questão é o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

E, no Cade, o processo está em pleno andamento, envolvendo diversos bancos e corretoras, e acumulando informações de ambas as partes.

Resumindo o imbróglio: o Mercado Bitcoin ganhou, mas foi temporariamente, e deve perder em breve no STJ. A decisão definitiva, entretanto, deve ser tomada ainda pelo Cade, deve valer para todos e não tem prazo certo para acontecer.

Sui Teixeira é jornalista desde 2001, formada pela USP. Trabalha ainda como produtora de jingles, é programadora amadora e entusiasta de ciência e tecnologia.
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