França proíbe transações anônimas com Bitcoin

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A França acaba de declarar guerra ao Bitcoin, com seu ministro das finanças, Bruno Le Maire, publicando um decreto que introduz regras opressivas a todas empresas de criptomoedas que operam no país.

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Qualquer empresa que trabalhe com criptomoedas devem implementar as regras imediatamente a verificar a identidade de todos usuários (KYC), além disso, todas as contas sem identificação (anônimas) devem ser bloqueadas. O comunicado foi publicado no Twitter pelo ministro das Finanças, Bruno Le Maire.

“Essa demanda, que emana de atores do ecossistema, permitirá combater o anonimato das transações em ativos digitais e, ao mesmo tempo, facilitar a identificação dos usuários”, disse o ministro.

Em outros países, como no Brasil, a regra de identificação de clientes também existe, mas em algumas empresas só quando um usuário movimenta um certo volume da moeda digital. Assim, é possível movimentar poucos volumes em algumas empresas que não exigem KYC, como em alguns plataformas P2P ou plataformas descentralizadas.

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Na França, no entanto, as regras serão mais rígidas, pois vale para todas as empresas, independente do volume, e o usuário terá que completar todo o cadastro já quando for criar a conta (geralmente o KYC é exigido quando um usuário tenta sacar valores altos).

A regra de KYC na França só era exigida em corretoras cripto/fiat e custodiantes de criptomoedas.

O ministro disse que a regra é uma ação necessária na luta da França contra o terrorismo. O comunicado de imprensa cita uma organização terrorista que se financiava com criptomoedas.

“Devemos drenar o euro de todos os canais de financiamento do terrorismo”

Vários outros países já estão com o dedo no gatilho para controlar o mercado. Nos últimos dias vários líderes mundiais falaram sobre a regulação das criptomoedas. Na última reunião do G7, ministros e governadores demonstraram forte apoio em regulações pesadas.

O G7 discutiu políticas das autoridades para prevenir o uso de criptomoedas em atividades ilícitas.

“Há um forte apoio do G7 sobre a necessidade de regulamentar as moedas digitais. Ministros e governadores reiteraram o apoio à declaração conjunta do G7 sobre pagamentos digitais, emitida em outubro.”

Na mesma reunião, o ministro das Finanças alemão, Olaf Scholz, emitiu uma declaração severa sobre a criptomoeda do Facebook, dizendo que a moeda é “um lobo em pele de cordeiro”.

Apesar de criticas sobre a tentativa do governo de controlar as criptomoedas e monitorar todas transações, os governantes se defendem dizendo que o principal motivo para as medidas que estão por vir é prevenir o financiamento do terrorismo por meio de criptomoedas.

“O que estamos tentando fazer na França é lutar contra o financiamento do terrorismo por meio de criptoativos. Mas nosso objetivo geral continua sendo fomentar a inovação”, disse a fonte.

Governo é burro?

Interessante o movimento de governos mundiais, mas ao mesmo tempo curioso. As criptomoedas são em essência, descentralizadas, ou seja, a prova de censura e de controle.

O governo “banir” transações provavelmente vai mitigar a ação de pessoas que usam corretoras, mas quem usa as moedas digitais de forma anônima vai continuar fazendo, afinal, é esse um dos principais objetivos das criptomoedas, conseguir fazer transações sem que o governo possa controlar.

É claro que o governo deve procurar formas de combater o terrorismo e o financiamento de crimes, mas seja lá quem for que usa criptomoedas para este fim, provavelmente está rindo da nova lei. Inclusive, pode até se sair beneficiado, já que como a corretora vai “se fechar”, os usuários vão procurar alternativas e acabar encontrando as plataformas descentralizadas e os mercados P2P.

O tiro pode sair pela culatra.

Talvez seria melhor deixar aberto para identificar os criminosos, onde eles tinham controle.

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