Ferramenta que bloqueia bitcoin direto em corretoras é positiva, avaliam advogados cripto

Gustavo Bertolucci
Gustavo Bertolucci
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
4 min de leitura
Advogados avaliam chegada de nova ferramenta ao judiciário brasileiro (Foto/Reprodução)
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A nova ferramenta CriptoJud apresentada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no início de agosto tem sido bem recebida por profissionais do direito que atuam no mercado de criptomoedas.

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Em conversa com o Livecoins, dois profissionais que atendem várias demandas de clientes entendem que o novo sistema agiliza a penhora de devedores e casos que tramitam na justiça brasileira sobre criptomoedas.

Similar ao Sisbajud, o novo sistema integra a base de corretoras e permite que juízes acionem elas sem a necessidade de ofícios. Ou seja, agiliza a determinação para que corretoras informem se há saldos e prendam os criptoativos dos réus.

No futuro, o sistema quer permitir até a liquidação das criptomoedas para Real brasileiro, confirmou o Ministro Luís Roberto Barroso, presidente do CNJ e ministro do STF.

Ferramenta que bloqueia bitcoin em corretoras acelera o processo de execução contra devedores envolvidos em fraudes financeiras, diz Artêmio Picanço

Em conversa com a reportagem, o advogado Artêmio Picanço, que tem clientes investidores do mercado de criptomoedas brasileiros, acredita que a nova ferramenta acelera o processo de execução contra devedores na justiça.

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“O CriptoJud, lançado pelo Conselho Nacional de Justiça em 5 de agosto de 2025, integra-se à Plataforma Digital do Poder Judiciário (PDPJ-Br) e replica, para criptoativos, a lógica já consagrada no SisbaJud. A ferramenta centraliza, em ambiente único e auditável, o envio automatizado de ordens judiciais às exchanges nacionais, viabilizando a localização, o bloqueio, a custódia em contas judiciais e, em fase subsequente, a conversão dos ativos em moeda corrente“, diz Picanço.

“Sob a ótica processual, o sistema potencializa o poder de efetivação do art. 139, IV, c/c arts. 789 e 835 do CPC, alinhando-se ao precedente da Terceira Turma do STJ (REsp 2.127.038/DF, julgado em 03 abr 2025) que já admitiu a expedição de ofícios às corretoras para penhora de criptomoedas. Ao proporcionar constrição patrimonial célere e padronizada, o CriptoJud confere maior efetividade às execuções contra devedores envolvidos em fraudes financeiras, reduz a assimetria informacional entre credor e devedor e concretiza o princípio da máxima utilidade da tutela jurisdicional no ambiente digital“, finaliza o advogado.

“Ainda há questões a serem melhoradas, mas é um primeiro passo importante”, diz Hector Cardenas

Também com vários clientes e processos na justiça envolvendo o tema das criptomoedas, Hector Cardenas indica que a ferramenta melhora a busca de bens de devedores. Além disso, ele acredita que a ferramenta comprova que as criptomoedas não podem mais ser ignoradas.

“Ao meu ver, a ferramenta do Criptojud vem a somar com a efetiva busca de bens dos devedores, em especial de casos que envolvem criptomoedas. Os ativos digitais são patrimônio que não podem ser ignorados e já passava da hora de termos um sistema que possibilite a busca automatizada“, explica o profissional do direito.

“Antes tínhamos que enviar ofícios para cada corretora, o que tornava a busca morosa e incerta, agora basta o juiz autorizar o pedido e realizar a busca integrada via sistema. A rigor, teremos mais celeridade, maior efetividade, menos burocracia e menor custo, para realização dessa busca e penhora de criptoativos“, completa Cardenas.

“É importante ressaltar que a ferramenta serve apenas para exchanges centralizadas, que se comunicam com o sistema. Ainda existem quesitos a serem melhorados neste campo, mas é um primeiro passo, um avanço. Vamos aplicar na prática“, finalizou.

MARCADO:
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.