“Perdi um caminhão na Midas Trend”, diz entregador de biscoitos do Rio de Janeiro

Lucas Gabriel Marins
Lucas Gabriel Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).
5 min de leitura
Eentregador de mercadorias Bruno Brito, 33. Imagem: Reprodução/YouTube
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A Midas Trend – empresa com indícios de ser um esquema ponzi, segundo o site Behind MLM – pode ter dado um golpe de cerca de R$ 60 milhões em seus investidores. Uma das supostas vítimas é o entregador de mercadorias Bruno Brito, 33.

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Em conversa com a reportagem do Livecoins, Brito falou que vendeu um caminhão – usado por ele até então na entrega de biscoitos no Rio de Janeiro – e investiu o dinheiro na empresa, que é alvo de investigação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

“Esse veículo era o único sustento de vida que eu e minha família tínhamos. Agora estamos vivendo com o auxílio emergencial do governo. Foi a maior besteira que fiz na vida”, disse ele, que mora com esposa e filha pequena no conjunto de favelas da Pedreira (RJ).

Foto do caminhão publicada em uma rede social. Imagem: Reprodução Youtube / Livecoins
Foto do caminhão publicada em uma rede social. Imagem: Reprodução Youtube / Livecoins

Caminhão foi vendido por causa da violência no Rio de Janeiro, disse Brito

Brito disse que vendeu o automóvel – um Kia Bongo de 2016 – em junho do ano passado, por R$ 50 mil. Desse total, ele investiu R$ 42 mil na Midas Trend. Ele disse que decidiu se desfazer do veículo por causa da violência do Rio. “O caminhão havia sido alvejado com três tiros. Decidi vender e procurar alguma outra coisa para fazer, talvez abrir comércio”.

Ao pesquisar na internet oportunidades de negócio, Brito falou que encontrou um canal do YouTube – ele não se recorda do nome – que recomendava a Midas Trend. “Falei com o dono do canal e ele garantiu que o negócio era sério. Como não tenho conhecimento algum no mercado financeiro, pois sou simples, acreditei que era algo honesto”.

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Desde novembro, no entanto, ele disse que não consegue mais sacar nada do dinheiro, assim como outras centenas de investidores lesados pela empresa. Dos R$ 42 mil investidos, Brito falou que conseguiu recuperar apenas metade.

Saques travados. Midas Trend: Imagem: Reprodução: Youtube / Livecoins
Saques travados. Midas Trend: Imagem: Reprodução: Youtube / Livecoins

“To aqui revoltado e indignado com esse Devanir dos Santos (presidente da Midas Trend). Ele nos conquistou, nos iludiu e depois nos passou a perna. Hoje sou motivo de chacota na rua onde moro, pois todo mundo dizia que eu estava envolvido com uma pirâmide, mas eu não acreditava. A Midas fez uma lavagem cerebral”, disse Brito.

Estou com nome sujo, disse investidor

Além de ter perdido caminhão e dinheiro, Brito disse que está com dificuldade financeira e não consegue mais pagar as prestações de um carro, financiado no final do ano passado por R$ 65 mil. Ele falou que decidiu entrar em um financiamento porque acreditava que a Midas iria pagar.

“Agora não consigo arcar com a mensalidade do automóvel, que é R$ 1.600, e estou devendo R$ 2 mil de IPVA. Além disso, to com o nome sujo e o banco me liga todo dia”, falou ele, que vive com R$ 1,8 mil de auxílio emergencial concedido pelo governo federal – R$ 600 dele e R$ 1,2 mil da esposa.

A história do entregador de biscoitos também foi relatada por ele em um canal do YouTube.

Presidente da Midas Trend, Devanir dos Santos. Imagem: Reprodução/YouTube

A Midas Trend, com sede em Salvador (BA), prometia lucro de até 40% por mês em cima do capital aportado. Esse rendimento seria obtido por meio de um suposto robô de arbitragem chamado “Botmidas”.

Desde o final do ano passado, no entanto, a empresa deixou de pagar seus investidores. Em janeiro, o presidente da empresa – seguindo a “cartilha” de outras supostos esquemas fraudulentos – falou que a empresa havia sido hackeada, deixando os clientes desesperados.

No Reclame Aqui, a empresa já conta com 500 reclamações.

Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).
1 comentário
  • Bom, não estudou o mercado e acreditou em narrativas fantasiosas… pronto; perdeu o dinheiro.

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